Ao ignorar a Constituição do Paraguai, o Brasil seguiu uma linha de prepotência desrespeitosa. A avaliação é do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que, em pronunciamento nesta quarta-feira (4) criticou as sanções impostas pelo Brasil e por outros países após o impeachment do presidente Fernando Lugo, em junho.
- O Brasil e todo o mundo têm o direito de discordar do procedimento adotado. Mas essa discordância não permitiria ao Brasil ignorar o fato de que ele se deu em conformidade com o texto constitucional do Paraguai - afirmou o senador, que destacou o fato de a Suprema Corte paraguaia ter ratificado o processo.
No entendimento de Dornelles, o Brasil passou uma mensagem para toda a América Latina de que os presidentes da Argentina, da Venezuela, da Bolívia e do Equador, podem continuar a coibir as liberdades de imprensa e desrespeitar o Congresso e o Judiciário.
- Caso os Congressos dos respectivos países tomem qualquer medida para conter o poder ditatorial dos seus chefes de Estado, o Brasil estará pronto para intervir e exercer o seu questionável poder de polícia contra as decisões dos respectivos Congressos - criticou.
O senador lamentou a decisão do governo brasileiro, que, na sua opinião, contrasta com sua tradição de autonomia e de defesa do princípio da não intervenção em assuntos estrangeiros. Para ele, a diplomacia de Estado cedeu lugar à diplomacia de governo, “perigosamente instável”.
- Espero que o Brasil reconheça o erro cometido e encontre com serenidade um caminho para corrigir sua desastrosa decisão em relação ao Paraguai - concluiu.
Fonte: Agência Senado
Foto: Agência Senado















